Teresa de Jesus (1515-1582) será lembrada de maneira intensa a partir desse mês até 2015, quando se completam 500 anos do seu nascimento. O primeiro ato internacional é um Congresso mundial sobre o Livro da Vida que será transmitido pela Internet. Dessa forma, centenas de monjas carmelitas poderão acompanhar o congresso a partir dos seus conventos em todo o mundo. A iniciativa será aberta a todas as pessoas interessadas.
O Congresso começou nessa segunda-feira, dia 23 de agosto, em Ávila com uma exposição em que se poderá observar por algumas horas o manuscrito original que a santa mística concluiu em 1562, conservado no El Escorial.
Para ver os preparativos desse congresso que poderá ser acompanhado pela Internet, Zenit, 23-08-2010, entrevistou o diretor da Universidade Mística da Fundação Centro Internacional Teresiano e São Joanista – CITES, o carmelita descalço Javier Sancho Fermín. A tradução é do Cepat.
Eis a entrevista.
O Livro da Vida de santa Teresa é um livro que “converte”. Falar-se-á do impacto desse livro no itinerário espiritual de Edith Stein, por exemplo, e em outros ‘convertidos’?
Seguramente essa é uma questão que vem à tona porque forma parte da história vida da obra teresiana. Concretamente, uma das atividades do congresso será, precisamente, um concerto oração que será celebrado na noite do dia 28 de agosto e que será intitulada ‘Do Livro da Vida ao Livro da Verdade. O impacto de Teresa em Edith Stein’. Nesta oração-concerto se apresentará oficialmente um CD sobre cantos inspirados nos pensamentos chave de Edith Stein e que foram compostos por Carmela Martínez. O CD sairá possivelmente antes do Natal e é patrocinado pela Fundação CITeS.
Ainda que de outros “convertidos” não se fale diretamente, se tocará na incidência que pode ter hoje o Livro da Vida nos diferentes âmbitos da vida: na política (sob responsabilidade do euro-parlamentar Agustín Díaz de Mera), na família, nos jovens, na vida consagrada… O que se pretende, em definitivo, é descobrir essa atualidade que continua sendo Teresa.
Quinhentos anos depois do nascimento de santa Teresa, que motivos explicariam a sua importância para alguém que nunca tenha ouvido falar dela?
Muitos motivos, mas sublinharia explicitamente dois: porque Teresa é uma mulher que se preocupou profundamente com a dignidade da pessoa humana, e em sua experiência com Deus é capaz de dar luz ao mistério mais profundo e desconhecido da interioridade da pessoa humana. Também porque, num mundo com sede crescente de espiritualidade, ela é mestra experimentada e autêntica: não é uma mulher de teorias, mas sim de vida provada. E porque como ninguém nos ajuda a descobrir a um Deus amigo e senti-lo próximo.
O Congresso possibilitará que muitas monjas possam conectar-se e viver o congresso a partir dos seus conventos em todas as partes do mundo. Como tem sido a acolhida na ordem carmelitana essa decisão?
Seguramente é algo novo, mas sobre o qual vem se insistindo faz tempo, especialmente desde os monastérios de monjas carmelitas. Será uma experiência nova e uma porta aberta a futuras iniciativas. Confiamos que haja suficiente demanda para cobrir gastos e poder ampliar esse serviço nas próximas edições dos congressos. Nesse momento faremos a transmissão em quatro idiomas: espanhol, francês, inglês e italiano (
http://www.teresadeavila.net/).
Um pastor metodista oferecerá uma visão do Livro da Vida em chave ecumênica e também se falará do mesmo num contexto inter-religioso. Santa Teresa como modelo para o ecumenismo e o diálogo inter-religioso?
Parece estranho, ainda mais quando Teresa foi colocada como protagonista da Contra-reforma. Entretanto, e isto está cada dia mais claro, Teresa está tendo uma ampla ressonância no mundo das igrejas protestantes: a sede de espiritualidade e a busca de Mestre resulta nisso. Lembro que um pastor metodista dos Estados Unidos nos confessava que em seu seminário o livro de formação espiritual de seus seminaristas era, precisamente, o Caminho da perfeição de Teresa… É claro que entre os homens e mulheres de “experiência” autêntica de Deus há uma especial sintonia e compreensão, acima das idéias e conceitos.